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segunda-feira, 12 de outubro de 2009

DIA DA CRIANÇA:ATÉ O SÉCULO PASSADO ERAM PEQUENOS ADULTOS



(Foto: AFP)"Maria, 9 anos, pastora. João, 10 anos, aprendiz de sapateiro." Assim eram registradas as crianças escravas nos inventários e testamentos do Brasil do século XIX, sempre com uma profissão associada ao nome.
E não eram apenas as escravas que precisavam trabalhar antigamente. Na Idade Média e mesmo nos séculos XVIII e XIX, logo que começavam a andar e a falar, os pequenos já aprendiam algum ofício, mesmo que doméstico. "As crianças eram encaminhadas para o mundo do trabalho realmente muito cedo", explica Mary Del Priori, historiadora e autora de "A História da Criança no Brasil" (Ed. Contexto).
Elas brincavam, competiam e conviviam com os adultos, segundo os estudos do historiador francês Philippe Ariès. As roupas, inclusive, eram parecidas. "Elas eram vistas como miniadultos", disse em entrevista ao G1 Ricardo Barros, historiador, mestre pela USP e professor do Colégio Paulista.
A substituição do trabalho pela escola começou a acontecer no final do século XIX e no começo do XX. No Brasil, a grande maioria das crianças ficava longe da escola. "As escolas públicas só vão ganhar a característica de ser um local para um amplo número de crianças no século XX, e isso por conta da luta de anarquistas e comunistas, notadamente imigrantes. No início, as escolas eram proibidas para crianças negras ou filhos de escravos", disse Mary Del Priori.

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Foto: Sajjad Hussain/AFP Crianças brincam na rua de Mumbai, na Índia, em 2007 (Foto: Sajjad Hussain/AFP)A autora ainda conta que as primeiras crianças de rua foram trazidas ao Brasil pelos padres jesuítas no século XVI. Elas eram tiradas das cidades portuárias portuguesas e trazidas à colônia para trabalhar.
Outra característica que mudou foi a mortalidade infantil. Somente na segunda metade do século XIX os médicos começaram a se preocupar realmente com o fato de as crianças morrerem cedo e terem muitas doenças. Mary Del Priori resume: "Eu diria que a criança brasileira no passado era uma sobrevivente, diferentemente de hoje, que a criança tem atenção do pediatra, do psicólogo, do orientador educacional e dos pais."

Criação da data

Em 1954, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou uma resolução aconselhando os países a escolherem um dia para celebrar a infância. Em 20 de novembro de 1959, a ONU aprovou a Declaração dos Direitos das Crianças, e esta data passou a ser usada por muitos países para celebrar o Dia das Crianças.
No Brasil, a data de 12 de outubro foi institucionalizada em 1924 por decreto do então presidente, Arthur Bernardes. Mas, segundo o professor Barros, ela não era quase comemorada até os anos 1960, quando duas grandes marcas de produtos infantis se juntaram para fazer uma campanha que ficou conhecida como a “Semana do Bebê Robusto”.
"As marcas incentivavam a saúde e a aparência das crianças, que poderiam ser aprimoradas, é claro, com seus produtos. Assim, foi criado o hábito de se presentear nessa data.(G-1)

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