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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Agronegócios:
Sugestões ao governador Omar Aziz - VI e última parte

 
                                                                                                   *Thomaz Meirelles
Neste sexto artigo direcionado ao governador Omar Aziz, agora já empossado, contendo esclarecimentos e sugestões ao setor primário regional, vou iniciar mostrando a participação do Amazonas em termos de produção agrícola na Região Norte, incluindo feijão, milho, arroz e soja. Em nível nacional, superamos apenas os estados do Rio de Janeiro e Amapá, apesar de ter a maior dimensão geográfica do Brasil e uma área desmatada que já seria suficiente para garantir nossa soberania alimentar, segundo informações da Sepror. Nos últimos cinco artigos, apresentei algumas sugestões que podem ajudar a reverter essa incômoda situação a fim de que, verdadeiramente, possamos fixar o homem ao campo com renda garantida e melhores condições de vida. Entre elas, relembro a necessidade de agências do Banco do Brasil e Banco da Amazônia em todos os municípios, bem como a indispensável ampliação dos números de técnicos do Idam. Sem essas conquistas, os avanços serão pontuais e sem expressividade em termos de produção agropecuária. O Amazonas contribui com inexpressivos 3,5% da produção agrícola do Norte. Em nível nacional, somente com 0,05%. Com um Idam forte, bem remunerado, compatível com a realidade amazônica e o Pronaf chegando ao bolso do agricultor familiar, em maior número, esse quadro certamente sofrerá mudanças importantes. Vejam os números oficiais da produção agrícola da Região Norte na safra 2010:
Unidade da Federação
Em mil toneladas
Tocantins -1.876
Pará -1.074
Rondônia - 941
Roraima - 105
Acre - 85
Amazonas - 44
Amapá - 10
Amazonas importa 30 mil t de milho em grão
Em 2010, criadores rurais de médio e grande porte do Amazonas acessaram os leilões públicos disponibilizados pelo governo federal viabilizando a entrada, com direito a “prêmio” de R$ 1,7 milhão, de aproximadamente 30 mil toneladas de milho em grão em nosso Estado. Este milho foi produzido, em sua grande maioria, no Mato Grosso, gerando emprego e renda aos agricultores daquele estado. O que fazer para que os criadores rurais do nosso Estado possam comprar milho produzido no Amazonas? Temos área já desmatada e gente querendo trabalhar, mas falta o crédito qualitativo chegar ao bolso do produtor e a assistência técnica ser compatível com a nossa realidade. Caso contrário, como ocorre há décadas, continuaremos importando alimentos básicos e o interior sendo esvaziado. O Pronaf tem como objetivo facilitar a vida do agricultor e, com isso, aumentar a produção nacional. Dizem que é o dinheiro mais barato do mundo, mas, apesar dos avanços recentes, o setor primário do Amazonas ocupa uma das últimas posições em termos de acesso. Eis um dado interessante, e que pode justificar esse baixo desempenho, além, é claro, da ausência de bancos oficiais em vários municípios. Para obter o crédito do Pronaf é preciso que o agricultor tenha em mãos um documento chamado de DAP (Declaração de Aptidão ao Pronaf), entretanto, no Amazonas, apesar dos esforços do Idam (o maior emissor) e Sindicatos, apenas 10% dos nossos agricultores possuem tal declaração. Portanto, o primeiro passo é adotar medidas urgentes para que a DAP chegue ao agricultor familiar.
315 mil toneladas passaram pelo Amazonas
Outro dado interessante e que serve de reflexão refere-se as 315 mil toneladas de milho em grão que passaram pelo Amazonas, em 2010, produzidos em outros estados, e que foram exportados para diversos países. Essas 315 mil toneladas seguem via rodovia até Porto Velho, onde a Hermasa possui um porto de transbordo. Em seguida, a produção segue viagem em comboio formado por barcaças pelo Rio Madeira, até o porto graneleiro para navios (tipo Panamax) às margens do Rio Amazonas, em Itacoatiara (AM), de onde, além do milho em grão, a soja, óleo e farelo são exportados para a Austrália, Europa e Ásia. Entendo que essas milhares de toneladas de milho poderiam estar sendo cultivadas no interior do Amazonas beneficiando, no mínimo, os agricultores localizados no rio Madeira e no Baixo Amazonas.
Agência bancária em barco
A ideia do atendimento itinerante ao interior do Amazonas iniciou com o meu pai, Ubaldino Meirelles, quando esteve à frente da Previdência Social no Amazonas. Sem dúvida, uma importante iniciativa, reconhecida inclusive pelo canal Discovery, e que, ao longo dos anos, vem sendo seguida por diversas instituições, sendo, a mais recente, a iniciativa da Caixa Econômica Federal. É lógico que qualquer iniciativa que pretende beneficiar o homem do interior deve ser aplaudida, porém, quando envolve agência bancária, tenho a convicção de que o mais correto é dotar todos os municípios do Amazonas com agências do Banco do Brasil, Banco da Amazônia e da Caixa ou que seja criada uma nova “engenharia” envolvendo essas três instituições a fim de que seus serviços cheguem ao interiorano. Se, de fato, nossa região é importante para o mundo em termos de sustentabilidade, penso que dotar o interior de estruturas físicas permanentes que viabilizem o crédito rural (a Caixa não pode fazer, só o BB e o BASA) e os demais atendimentos sociais da Caixa Econômica Federal não seria custo, mas investimento e melhores dias ao caboclo que sempre defendeu e lutou por este espaço.

*Thomaz Antônio Perez da Silva Meirelles, administrador, servidor público federal, especialista na gestão da informação ao agronegócio e escreve sempre nesgte endereço. E-mail: thomaz.meirelles@hotmail.com





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