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quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Agronegócio: Consumindo "saúde" ou "doença"? - *Thomaz Meirelles


Ao longo dos meus 46 anos de existência tenho, sempre, mantido uma intensa briga com a balança. Entretanto, nos últimos quatro meses consegui, com muita luta, e atendendo recomendação médica dada ao meu filho (Neto), priorizar o consumo de frutas, verduras e hortaliças durante a semana. Em termos de redução de peso posso afirmar que o resultado foi altamente significante, tendo perdido aproximadamente doze quilos. Contudo, fica a pergunta: será que esses alimentos, tidos como saudáveis, estavam com índice de contaminação de agrotóxico dentro do recomendável? No Amazonas, será que existe este acompanhamento? O que posso afirmar é que o assunto é extremamente sério e como tal precisa ser encarado. Penso, inclusive, que a grande maioria das mazelas que estão aparecendo tem origem na alimentação, ou seja, na qualidade do que consumimos diariamente. Em 2008, o Brasil assumiu o posto de maior consumidor de agrotóxicos em todo o mundo, posição antes pertencente aos Estados Unidos. Justamente por movimentar bilhões de dólares, em 2008, e por iniciativa de empresas que comercializam agrotóxicos várias decisões judiciais impediram o trabalho da Anvisa. Fazendo referência a estes entraves, isto é, à importação de agrotóxicos proibidos, a coordenadora do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas da Fundação Oswaldo Cruz, Rosany Bocher, fez a preocupante afirmativa: “O que não se consegue mais vender para a União Européia, Estados Unidos, Canadá, Japão e China, acaba vindo para no mercado brasileiro”.
ANVISA tem o “PARA”
Criado em 2001, o objetivo do PARA (Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos), coordenado pela Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária), é manter a segurança alimentar do consumidor e a saúde do trabalhador rural, uma vez que esses agricultores são expostos a estes agrotóxicos sem os equipamentos próprios para o manejo destes produtos. A escolha dos itens analisados leva em consideração a importância desses alimentos na cesta básica do brasileiro, o consumo, o uso de agrotóxicos e a distribuição das lavouras pelo território nacional. O Programa funciona a partir de amostras coletadas, em supermercados, pelas vigilâncias sanitárias dos estados e municípios.

AM não fez parte da pesquisa

Em abril passado, a Anvisa divulgou uma lista de frutas e verduras contaminadas por agrotóxicos. As coletas foram realizadas nos estados do AC, BA, ES, GO, MG, MS, PA, PR, PE, RJ, RS, SC, SE, TO e Distrito Federal. Somente este ano o AM vai se integrar ao “PARA” da Anvisa. Os alimentos monitorados foram: alface, batata, morango, tomate, maça, banana, mamão, cenoura, laranja, abacaxi, arroz, cebola, feijão, manga, pimentão, repolho e uva. Chamou atenção, nos resultados da pesquisa, o uso de agrotóxicos não permitidos, em todas as culturas analisadas. Ingredientes ativos banidos em diversas partes do mundo, como acefato, metamidofós e endossulfam, foram encontrados de forma irregular nas culturas de abacaxi, alface, arroz, batata, cebola, cenoura, laranja, mamão, morango, pimentão, repolho, tomate e uva. As amostras foram analisadas nos seguintes laboratórios: Instituto Octávio Magalhães, Laboratório Central do Paraná e Instituto Tecnológico de Pernambuco, nas quais foram investigadas até 167 diferentes agrotóxicos. Caso a utilização de agrotóxicos esteja em desacordo com os limites permitidos pela Anvisa, os órgãos responsáveis pelas áreas de agricultura e meio ambiente são acionados para rastrear e solucionar o problema. Agora, “Rastrear” e “solucionar o problema” no Amazonas é completamente diferente do que realizar tal tarefa em qualquer outro estado brasileiro. O poder público tem que entender, e a sociedade cobrar, que o AM é o maior estado da Federação (cabem 14 estados dentro deste espaço) e que os órgãos públicos aqui instalados obrigatoriamente devem possuir estrutura física e de pessoal totalmente diferenciada dos demais estados. Ao definir o número de vagas para os próximos concursos públicos este diferencial deve ser considerado, fato este, no meu ponto de vista, que não está ocorrendo. É só checar os editais.

Frases do ministro da Saúde
Ao conhecer o relatório da pesquisa, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, fez as seguintes afirmativas: “No Brasil, a segunda causa de intoxicação, depois de medicamentos, é por agrotóxicos, o que tem uma dimensão importante”. O ministro afirmou que já cortou o pimentão (alimento com maior contaminação) de sua dieta e disse que não pode recomendar que os consumidores façam o mesmo, mas recomendou que as pessoas lavem bem os alimentos e prefiram sempre os de época. Complementou afirmando que “aumentar o consumo de frutas e verduras é importante para a saúde. Queremos que esses produtos sejam seguros. Nosso famoso arroz com feijão tá bem, agora a cenoura, o morango e o pimentão o negócio tá complicado”. A Anvisa, em notícia publicada em abril passado, recomenda que para reduzir o consumo de agrotóxicos em alimentos, o consumidor deve optar por produtos com origem identificada. Essa identificação aumenta o comprometimento dos produtores em relação à qualidade dos alimentos, com adoção de boas práticas agrícolas. Diz a Anvisa, que os procedimentos de lavagem e retirada de cascas e folhas externas de verduras ajudam na redução de resíduos de agrotóxicos presentes nas superfícies dos alimentos. Os alimentos orgânicos também são opção, pois não utilizam produtos químicos para serem produzidos. Dedico esta coluna à prima Heloísa pelo fato de sempre estarmos conversando sobre tão importante assunto para a saúde humana.

*Thomaz A P Silva Meirelles – administrador, funcionário público federal, especialista na gestão da informação do agronegócio. E-mail: superbox@argo.com.br / thomaz.meirelles@hotmail.com

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